O primeiro fim de semana do Rock in Rio Lisboa 2026 no Parque Tejo provou que, dentro de um megaevento comercial, há espaço para a contestação de injustiças sociais. Diante de um público de aproximadamente 200 mil pessoas em seu primeiro fim de semana, o line-up foi marcado por apresentações que utilizaram o palco para resgatar a essência contestadora do rock e do hip-hop.

Os veteranos do punk português Tara Perdida abriram caminho com seu habitual tom de revolta urbana, demonstrando que a urgência de suas mensagens sobre a alienação cotidiana continua atual. Na mesma programação focada no peso, os Blasted Mechanism trouxeram sua fusão eletrônica e visual provocador, propondo uma quebra na monotonia conceitual do festival. A vertente de denúncia social e consciência de classe ficou fortemente representada pelo hip-hop do Porto dos Dealema, cujas rimas incisivas apontaram diretamente para as fraturas econômicas e para a negligência elitista.

Internacionalmente, o ativismo subiu de tom com a estreia de grandson em Portugal. O músico canadense cumpriu o esperado ao transformar o seu show em um manifesto vivo, instigando o público à mobilização coletiva contra a apatia e os mecanismos de opressão do Estado moderno. Essa energia contestadora teve continuidade com os californianos do P.O.D., que conectaram a agressividade musical à vivência e à resistência das comunidades periféricas em meio à miscigenação e à etnicidade latina.

O peso político da escalação atingiu o pico com o metal dos brasileiros do Sepultura, cuja agressividade sonora serviu de veículo para críticas históricas ao imperialismo e à destruição ambiental. Complementando a diversidade de frentes, a performance crua e enérgica de Taylor Momsen à frente do The Pretty Reckless trouxe para o Palco Mundo discussões sobre a libertação da mulher e a rejeição dogmas conservadores. No fim, a ocupação física do espaço por um público focado na mensagem provou que a música de protesto mantém sua relevância e capacidade de ecoar as inquietações da classe trabalhadora.


Fotos por Victor Souza



@victorsouzacst1

Por hedflow

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