A estudante Gabriela Batista, de 23 anos, denunciou em suas redes sociais uma série de agressões que podem ter sido cometidas pelo músico, jornalista e ex-marido, Pedro Jordan S. Figueiredo, em Senador Canedo. Segundo a vítima e o registro de boletim de ocorrência, realizado em julho deste ano, além da violência física, o ex-companheiro espalhava mentiras e dizia que ela era a culpada pelas situações de conflito.
Gabriela só expôs o caso na internet no último domingo (17). Pedro nega as acusações.
Ao jornal Mais Goiás, Gabriela relatou que aguentou a situação por muito tempo por conta da família. “Eu aguentei porque a mãe dele dizia que a família tinha que vir em primeiro lugar. Dizia que eu deveria pensar nos meu filhos e que tudo poderia ser resolvido dentro de casa. Fiquei presa na ideia de que, por ser pai dos meus filhos, eu tinha que ficar com ele (o suposto agressor)”, explicou.
Segundo o registro policial, Gabriela e Pedro viveram juntos por quase 3 anos e possuem 2 filhos pequenos. A vítima ainda revelou que as agressões físicas e psicológicas vêm desde o início do casamento, mas a coragem para denunciar só surgiu no último dia 15 de julho, quando ocorreu, segundo ela, mais um episódio de violência. “Decidi tornar os fatos públicos porque, apesar de eu ser vítima, ele vinha espalhando para todos que eu era a culpada. Não aguentava mais mentiras sobre mim”, afirmou.
No relato feito à Polícia, Gabriela narra que o ex-companheiro chegou na casa em que moravam por volta das 14 horas do dia 15 de julho. Segundo a estudante, Pedro Jordan disse que pegaria alguns bens materiais, mas que queria a guarda do filho mais velho do casal. Em resposta, a vítima disse que a situação seria resolvida judicialmente, já que não estava disposta a dar a guarda total do filho. Depois da conversa, a jovem afirma que o agressor ficou acuado e ameaçou dizendo que ela se arrependeria, agredindo-a com socos na costela, pernas e rosto (ver imagens). “Eu não tinha como reagir às agressões, quando ele começava a me bater eu só ficava quieta para acabar logo, porque se eu falasse algo apanhava mais ainda”, lembrou Gabriela à jornalista Larissa Feitosa.
Por volta das 16 horas do dia do crime, a vítima decidiu denunciar o caso à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. Ao chegar no local, se surpreendeu em encontrar Pedro Jordan, que também denunciava o crime.
Aos policiais, o suspeito das agressões conta que a mulher e os familiares dela o ameaçaram de morte. Além disso, Pedro negou as agressões contra Gabriela. Entretanto, naquela altura, ao mostrar as marcas dos socos, o ex-marido foi preso em flagrante.
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) também revela que Gabriela, de fato, sofreu as agressões. “Ele insiste em dizer que nem a delegada acreditou em mim, mas é mentira. Ele foi preso em flagrante.”Eu tenho muito medo. Ele é uma pessoa muito explosiva e pode tentar uma retaliação. Costumava quebrar muitas coisas, chutava móveis e brinquedos dos bebês, estourava garrafas na parede…”, desabafou a mulher.
Outro fator que agrava ainda mais a situação, é a confirmação de Gabriela em relação à presença dos filhos durante alguns momentos de conflito entre o casal. “As crianças estavam presentes na maioria das agressões. Meu filho mais velho copiava as ações dele (o ex-marido). Mas, hoje está bem melhor, pois também faz acompanhamento médico”.

Suposto agressor é jornalista, músico e produtor cultural

Segundo informações contidas em suas próprias redes sociais, Pedro Jordan, de 32 anos, é músico, produtor cultural e também atua como repórter no jornal O Hoje, além de ser membro e fundador da banda de hard rock/heavy metal XTorm, criada em 2020.
Jordan é uma figura conhecida no meio musical de Goiânia e de Senador Canedo (cidade vizinha), além de ter participado de outros dois grupos, sendo um deles a banda de deathcore Half Bridge, que, segundo relatos de amigos e pessoas da cena local, teria encerrado a atividade após as denúncias de Gabriela Batista. Entretanto, não há nenhuma publicação citando o caso, apenas uma nota comunicando o fim por “motivos pessoais”.
Também em entrevista ao Mais Goiás, na qual preferiu não revelar a sua identidade, ele negou ter agredido a ex-esposa: “Nunca a agredi. Ela que chegou a jogar objetos em mim. Ela expôs isso para me denegrir.”
Segundo Pedro, ele decidiu sair de casa e pediu o divórcio depois que descobriu uma traição por parte de Gabriela. Além disso, o acusado conta que Gabriela o pressionava a fazer ‘coisas erradas’, como emprestar o carro para ela sem que a mesma tivesse Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Pedro Jordan também rebateu ao jornal Mais Goiás o laudo pericial que comprova as agressões sofridas por Gabriela e todas as acusações feitas pela estudante.
Segundo ele, as lesões foram ‘causadas por uma reação alérgica’ a côco. “Fico decepcionado, pois a Maria da Penha é uma lei extremamente importante para ser usada para uma mentira. Desafio alguém a dar um copo de água de côco para ela, sem tomar anti-alérgico, para ver a reação no corpo dela.”
Gabriela Batista negou a traição e disse que a sua situação está ainda mais difícil neste momento por encontrar-se desempregada.