Swallow The Sun encerra carnaval dos headbangers paulistanos na Fabrique Club

Na última terça-feira (21), em meio aos incontáveis bloquinhos temáticos espalhados pela cidade de São Paulo, a Fabrique Club recebeu a primeira apresentação solo da banda finlandesa de doom metal Swallow The Sun em território nacional, assim encerrando o feriado de carnaval com chave de ouro para os admiradores de música extrema.

Formada em 2000, na cidade de Jyväskylä, Swallow The Sun é considerada uma das principais bandas do metal contemporâneo finlandês. Com letras sombrias, base instrumental marcada por arranjos de diferentes estilos musicais e o talento ímpar do vocalista Mikko Kotamäki, que alterna de forma precisa vocais limpos com urros guturais, o grupo destaca-se no cenário heavy metal por apresentar uma proposta bastante ousada.

Em duas décadas de atividade, o quinteto lançou 8 discos, e fez diversas turnês ao redor do mundo com importantes nomes do metal, como Apocalyptica, Katatonia e Alcest. Recentemente, o Swallow The Sun também recebeu certa visibilidade no mainstream com a indicação ao Emma Gaala, o Grammy Finlândes, na categoria Melhor Banda de Metal com o álbum Moonflower.

Em clima de descontração, alguns headbangers aguardaram a abertura do clube acompanhando a passagem de bloco temático que estava circulando pela Rua Barra Funda. Porém, por volta das 17h30, uma forte chuva frustrou a diversão dos foliões, e centenas de pessoas correram em busca de abrigos nos comércios locais. Quando a Fabrique Club abriu as portas ao público geral, foi possível observar dezenas de pessoas com roupas enxergadas circulando pelo hall de entrada da casa de espetáculos.

Durante os primeiros minutos do evento, os fãs puderam curtir a discotecagem interna e conferir a barraca de merch dos finlandeses. Além de produtos usuais, como camisetas, CDs e moletons, o pequeno estande também fornecia um belíssimo LP do ao vivo 20 Years of Gloom, Beauty and Despair – Live in Helsinki, cujo encarte destacava uma arte 3D em movimento. 

Pontualmente, às 18h30, a banda sorocabana Warshipper subiu ao palco.

Apesar do visível desconhecimento de grande parte da plateia, o grupo composto por integrantes do Bywar e Zoltar possui mais de 12 anos de carreira, 3 discos completos e uma turnê europeia no currículo. A canção ‘Barren Black‘ foi responsável pelo pontapé inicial do set. Logo de cara, a combinação de breakdowns, blasts beats e outros elementos do black/death metal old school chocou aqueles que aguardavam uma sonoridade similar à atração principal.




Em seguida, ‘Glowworm Dragon‘, deu continuidade a violência musical. Nesta ocasião, o baterista Roger Costa enfeitou os riffs cavalgados de Rafael Oliveira com batidas grinds violentas. Além disso, próximo ao término da música, Rafael e Renan Roveran exibiram um solo conjunto, variando entre shreddings e tappings, que arrancou uma salva de palmas de todos os presentes na pista.





Após agradecer a recepção, Renan apresentou a banda e brincou “este aqui é o bloco do metal”. Na sequência, veio ‘Numb’, onde o baixista Rodolfo Nekathor assumiu a voz principal, destacando urros guturais assustadores. Depois de um punhado de canções extremamente violentas, os rapazes surpreenderam a plateia com Axiom, faixa com batidas mais lentas e um bela introdução de guitarra em tons que até remetiam a uma “balada” love metal.

Na reta final set, Renan e companhia decidiram destacar duas faixas especiais: ‘Religious Metastasis‘, single que estará presente no próximo disco oficial do grupo, com previsão de lançamento ainda neste ano, e ‘Respect’, música que conta com a participação de Fernanda Lira, frontwoman da banda Crypta

Certamente, Warshipper é um nome que merece mais reconhecimento dentro do cenário extremo. Os rapazes de Sorocaba comandam, com excelente técnica, um trabalho maduro, com composições marcadas por riffs pesados e agressivos, solos de guitarra virtuosos e bateria alucinante. Além disso, é possível afirmar que a sonoridade da banda é capaz de agradar diferentes perfis de headbangers. É uma pena que, em um período de uma década, mais pessoas ainda não tenham tido a chance de checar a brutalidade do som deste conjunto extremamente talentoso.


Fotos: Tamires Lopes/Hedflow



Infelizmente, a casa permaneceu vazia durante o show da banda de abertura. Porém, por volta das 19h45, os fãs começaram a comparecer em peso, chegando a preencher metade da pista da Fabrique Club. 

Pontualmente, às 20h, uma trilha instrumental começou a ecoar nos altos falantes do palco. Na sequência, Juha Raivio (guitarra), Mikko Kotamäki (vocal), Matti Honkonen (baixo), Juuso Raatikainen (bateria) e Juho Räihä (guitarra) surgiram no cenário e iniciaram o show com ‘Enemy‘ e ‘Rooms and Shadows‘, seguindo a mesma dinâmica dos recentes shows apresentados no continente Europeu.

Durante a execução dessas faixas, os spots de iluminação foram reduzidos, e a decoração acabou combinando perfeitamente com os vocais de Mikko e as passagens instrumentais atmosféricas e melancolias.




“Estou muito feliz em voltar à cidade de São Paulo após 9 anos”, comentou Mikko antes de ‘Failing World’, uma das principais obras do disco New Moon, lançado em 2009. Sem deixar o público descansar, os finlandeses emendaram ‘Cathedral Walls‘, faixa que conta com a participação de Anette Olzon, e reconhecida como um dos principais sucessos da carreira do Swallow The Sun.

Ao alcançar o refrão que conta com a voz da ex-vocalista do Nightwish, Mikko entregou a voz a plateia, e os fãs cantaram o icônico trecho em uníssono. Em ‘Firelights’, luzes verdes, vermelhas e amarelas foram utilizadas para enfeitar o palco, variando do tom azul que havia dominado a decoração do cenário até aquele momento. Já em ‘Stone Wings’ e ‘Hey Moon‘, o público acompanhou em coro os riffs que compõem as músicas, resultando nos momentos mais bonitos da noite.


Fotos: Tamires Lopes/Hedflow




Próximo ao encerramento do set regular, Mikko decidiu interagir um pouco com os fãs e brincou: “Após 4 dias de carnaval e samba, por favor, não caiam no sonho”. Assim, o frontman acabou introduzindo ‘Don’t Fall Asleep‘, principal single do álbum ‘Hope‘.

Após um breve bis, os músicos retornaram ao palco e perguntaram aos presentes se eles ainda gostariam de escutar mais uma música. Após ouvir os gritos acalorados dos seguidores, os headbangers nórdicos finalizaram a noite com as canções ‘Moonflowers’, ‘Descending Winters‘ e ‘Swallow (Horror, PT 1)



Fotos: Tamires Lopes/Hedflow


Apesar do público reduzido e pouquíssima “interação público/artista”, Swallow The Sun entregou um espetáculo emocionante e profundamente sensível. Alternando entre riffs pesados, vocais limpos e berros guturais estridentes, além de belíssimas passagens de sintetizadores, eles transformaram a Fabrique Club em um ambiente obscuro, levando os presentes para um submundo misterioso, composto por sentimentos de raiva, tristeza e melancolia.

Além disso, os guitarristas Juha RaivioJuho Räihä exibiram uma performance de palco incansável, unindo de forma precisa habilidade técnica e movimentos extravagantes. Já o público conseguiu acompanhar perfeitamente a sintonia da banda, respondendo adequadamente a cada estado de euforia de cada uma das faixas.

Setlist – Warshipper

– Barren Black;

– Glowworm Dragon;

– Numb;

– Axion;

– Religious Metastasis;

– Respect;

– Warshipper.

Setlist – Swallow The Sun

 – Enemy;

– Rooms and Shadows;

– Failing World;

– Cathedral Walls;

– Firelights;

– Waven;

– Stone Wings;

– New Moon;

– Don’t Fall Asleep;

– This House;

Bis

– Moonflowers;

– Descending Winters;

– Swallow (Horror, Pt.1)


Warshipper



Swallow The Sun



Texto por Guilherme Góes
Fotos por Tamires Lopes

Swallow The Sun encerra carnaval dos headbangers paulistanos na Fabrique Club

Por
- Estudou jornalismo na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Apaixonado por música desde criança e participante do cenário musical independente paulistano desde 2009. Além da Hedflow, também costuma publicar trabalhos no Besouros.net, Sonoridade Underground, Igor Miranda, Heavy Metal Online, Roadie Crew e Metal no Papel.