Formada em 2007, na cidade de Belo Horizonte, a banda mineira Pense sempre manteve uma forte relação com São Paulo. Ainda em 2012, logo após lançar seu primeiro álbum, Espelho da Alma (2011), o grupo realizou seu primeiro show na capital paulista. Desde então, a metrópole tem sido palco de diversos momentos marcantes na trajetória da banda — como o disco ao vivo gravado no extinto Inferno Club em 2015 e os shows esgotados em 2022 no Hangar 110 e no Carioca Club, durante a turnê de despedida da formação que gravou o álbum ‘Realidade, Vida e Fé’.

Apesar da base de fãs sólida na cidade, o grupo ainda não havia se apresentado em palcos da rede Sesc — conhecidos por sua excelente infraestrutura e democratização do acesso à cultura. Felizmente, essa lacuna foi preenchida no último sábado (2/08), quando o Pense fez sua aguardada estreia no Sesc Belenzinho.

Embora o espaço não estivesse totalmente lotado, o evento reuniu um público expressivo. Ítalo Nonato (vocal), Judá Ramos (baixo), Daniel Avelar (guitarra), Raphael Gonçalves (guitarra) e Alexandre Magno (bateria) apresentaram um repertório centrado no novo álbum ‘Tudo Que Temos de Lembrar’, lançado em 2024. Entre os destaques estiveram os singles ‘De Onde Viemos’, ‘O Que Nos Movimenta’, ‘Sala de Controle’ e ‘Não Vou Recuar Pra Ninguém’ — faixas que marcam a nova fase da banda com integrantes recém-chegados.



Ainda assim, clássicos que consagraram o grupo como um dos principais nomes do hardcore nacional contemporâneo não ficaram de fora. Canções como ‘O Que Me Cega’, ‘Aponte pro Espelho’, ‘Existência’, ‘Eu Não Posso Mais’, ‘Gota a Gota’ e ‘Andando Sobre Pedras’ empolgaram os fãs e trouxeram energia aos momentos mais intensos da noite.

Durante o show, o vocalista Ítalo ressaltou a importância de instituições como o Sesc para a cultura brasileira e compartilhou a emoção de tocar no Belenzinho — espaço onde, durante anos, havia estado na plateia como fã. Ao longo da apresentação, parte do público tentou iniciar mosh pits e stage dives, mas as ações foram rapidamente contidas pela segurança, evidenciando certa falta de familiaridade a cultura dos shows de hardcore. Ainda assim, tudo ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes.

Com excelente qualidade técnica, acústica apurada e iluminação precisa, a performance da banda foi matadora. A noite foi um verdadeiro presente para os fãs, que puderam ver um grupo oriundo da cena underground se apresentar em um espaço de referência cultural. Mais que isso: mostrou que o hardcore também tem seu lugar ao lado dos grandes espaços culturais da música brasileira.

Por Guilherme Góes

Estudou jornalismo na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Apaixonado por música desde criança e participante do cenário musical independente paulistano desde 2009. Além da Hedflow, também costuma publicar trabalhos no Besouros.net, Sonoridade Underground, Igor Miranda, Heavy Metal Online, Roadie Crew e Metal no Papel.