A Festa do Avante! é um evento que há décadas se consolidou como uma celebração cultural e política de destaque na Quinta da Atalaia. Seus palcos repletos de música, encontros e manifestações artísticas mais uma vez foram absolutamente inspiradores.
O grupo brasileiro de hardcore melódico, Dead Fish, levou milhares dos seus ouvintes em Portugal para uma apresentação muito enérgica e impactante no 25 de Abril, palco principal da Festa. Rodrigo Lima no vocal, Marcos Melloni na bateria, Ric Mastria na guitarra e Igor Tsurumaki no baixo fizeram uma performance muito competente e direta levando a malta portuguesa a um frenesi intenso durante todo o show, o que propiciou muitas rodas de circle pit no público.
Nesse momento de ascensão da extrema-direita e de uma internacional fascista mundo afora, foi providencial ouvir ‘A Urgência’ na arrancada do set (som lançado no primoroso e legendário álbum Zero e Um, de 2004). Logo na sequência veio ‘Tão Iguais’, como no disco. E foi durante essa faixa que Rodrigo se dirigiu a todos e a todas as presentes atentando: “no Brasil, no estado de São Paulo, a gente tem um facho chamado Tarcísio de Freitas. E aqui vocês estão vendo o crescimento da extrema-direita. É muito bom ver um fest como este, com os ‘nossos’, com os que resistem. Vamos, vamos, vamos!”
Outros pontos altos foram em ‘Queda Livre’, da mesma era, e também em ‘Zero e Um’ (tema-título do trabalho de 2004, esse que soa sempre atual e causa apreciação irreparável nos seguidores da banda já há mais de duas décadas).
Das novas, trouxeram muita empolgação ‘Dentes Amarelos’ e ’49’, extraídas de Labirinto da Memória, obra mais recente do Dead Fish. No mais, ‘MST’ (do ‘Sirva-se’, de 1997) também animou geral a massa humana que tomava o gramado de frente ao renomado 25 de Abril no Avante. O MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, do Brasil, durante esse som, fez Lima refletir sobre o seguinte: “os trabalhadores sem terra do Brasil produzem comida orgânica de base famliar, ética e decente para o mundo inteiro. Não vai haver república brasileira, federativa ou o que seja sem uma coisa no Brasil: Reforma Agrária!”
Outros grandes destaques foram em ‘Bem-vindo ao Clube’ (de 2004), ‘Mulheres Negras’ e ‘Sonho Médio’, ambas de 1999, do álbum que carrega como título esta última, que foi a que pôs ponto final de forma magnífica nessa apresentação histórica do quarteto, que reforçou apoio através de seu frontman e firmou a posição do grupo por uma “Palestina Livre” e pelo fim do genocídio.































A programação contou também com o retorno de Linda Martini no Palco 25 de Abril, que trouxe o espetáculo ‘Passa-Montanhas’. A banda, que tem agora como membro oficial Rui Carvalho, conhecido também por Filho da Mãe, mostrou por que é uma referência do rock nacional. Com visual e energia contagiantes, o ato reforçou a sua presença na cena musical.
No Auditório 1.º de Maio, o contrabaixista Bernardo Moreira liderou o seu sexteto, que inclui Ricardo Dias no piano, Mário Delgado na guitarra, João Moreira no trompete, Tomás Marques no saxofone e Joel Silva na bateria. Inspirado na obra de Carlos Paredes, o projeto mistura jazz e fado, recriando composições do mestre da guitarra portuguesa e apresentando temas originais que homenageiam o seu legado.
Já a vivacidade afro-uruguaia tomou conta do Auditório com a Yacumenza Candombe, que apresentou ritmos vibrantes, cores e movimento ao palco. Mais tarde, o fadista seixalense Sérgio Onze tocou temas do seu álbum de estreia, NÓS, produzido por Ricardo Ribeiro e Agir, consolidando a sua presença no cenário do fado contemporâneo.
O Palco 25 de Abril sediou ainda uma homenagem aos 50 anos da Brigada Vítor Jara, fundada em 1975, um ano após a Revolução de Abril e antes da primeira Festa do Avante!. O coletivo performou um espetáculo especial, incluindo a participação do grupo Segue-me à Capela, que trabalha a música tradicional portuguesa com uma abordagem muito atual, usando a voz como instrumento principal.
Na sequência, A Garota Não, liderada por Cátia Mazari Oliveira, subiu ao palco com seu mais recente álbum, Ferry Gold. A artista, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Intérprete e do Prêmio SPA para Melhor Trabalho Popular em 2023, emocionou o público com sua voz potente e letras autênticas.
A noite no Palco 25 de Abril foi encerrada por Stereossauro com convidados de destaque, como Carlão, Ana Lua Caiano, DJ Ride, Pedro Joia, Ana Magalhães e Ricardo Gordo. A mistura de fado e música eletrônica criou uma atmosfera vibrante, levando milhares de pessoas à dança.
No Auditório, a despedida foi marcada por uma homenagem à liberdade, com Joana Amendoeira e Fred Martins partilhando o palco em interpretações que remeteram ao espírito de Abril. A edição de 2025 da Festa do Avante! encerrou-se com grande entusiasmo, deixando a promessa de mais momentos inesquecíveis para o próximo ano.
O secretário-geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, referiu-se à legislação trabalhista defendida pelo Governo de Luís Montenegro como “uma declaração de guerra aos trabalhadores”, considerando-a especialmente direcionada aos jovens e às mulheres. E afirmou, no discurso de encerramento da edição de 2025 da Festa do Avante, que a “única resposta possível” vai ser a luta.
“O Governo pode fazer o que quiser, com quem quiser e onde quiser, mas o seu pacote terá a resposta que os trabalhadores excluirão. E pode ser derrotado nas empresas, nos locais de trabalho e na rua”, prometeu o líder comunista, garantindo que o PCP responderá ao pedido da central sindical CGTP às grandes manifestações marcadas para 20 de setembro em Lisboa e no Porto.
Juntando-se aos partidos que compõem a Aliança Democrática (AD), a “lebre ideológica” da Iniciativa Liberal e a “fábrica de mentiras” do Chega, a quem chamou de “abre-latas do pior da política de direita”, Raimundo voltou a não poupar críticas ao PS, que afirmou parecer “disponível para dar as mãos” ao Governo de Luís Montenegro.
“Temos um PS às cotoveladas com o Chega para ver quem é o mais cúmplice do Governo, para ver quem é o parceiro favorito de um Orçamento do Estado que já sabemos que será um instrumento para acelerar o desmantelamento do Sistema Nacional de Saúde, o ataque aos serviços públicos, as privatizações, a transferência de recursos públicos para grupos económicos e a manutenção de um país de tensão e pensões baixas”, frisou.
Para o final, os desafios eleitorais que os comunistas terão nos próximos meses, que Raimundo considerou como “muito exigentes”. No que diz respeito às eleições legislativas, marcadas para 12 de outubro, para as quais a CDU já possui 19 prefeituras, incluindo as capitais dos distritos de Évora e Setúbal, Raimundo afirmou que os candidatos irão “de cabeça erguida, com um projeto diferenciado no Poder Local, com provas dadas, trabalho e obras realizadas.”
Nas eleições presidenciais, que acontecerão em janeiro de 2026, ele destacou a candidatura do ex-deputado António Filipe como “indispensável e insubstituível”, numa fase em que o PCP considera defensor fundamental da Constituição da República Portuguesa, “que, apesar de mutilada, contém as respostas para os problemas que enfrentamos.”
Além disso, destacou que tem havido “uma política que usa os imigrantes e os mais desfavorecidos como bodes expiatórios das suas desastrosas consequências. Uma política ao serviço de uma minoria que se acha dona disto tudo e a quem nunca se pergunta a nacionalidade, a língua, a religião ou a cultura.”
Por fim não foi esquecido o 13º Congresso do PCP, que se realiza em novembro, pedindo aos militantes que construam “em cada escola, universidade, bairro e local de trabalho o seu caminho, o caminho da democracia e do socialismo”, afirmando “o grande rio da história daqueles que lutaram, ao longo dos séculos, muitas vezes com a própria vida, por um mundo melhor.”




















Fotos da apresentação do Dead Fish por Victor Souza.
Todas as demais imagens do evento por Stefani Costa.
