Em 2022, a icônica banda Green Day, um dos maiores nomes do rock contemporâneo, retornou ao Brasil após quase cinco anos de ausência para uma apresentação no festival Rock in Rio. A volta foi bastante comemorada pelos fãs, mas também gerou frustração em parte do público, já que o grupo se apresentou apenas no Rio de Janeiro, deixando de fora outras capitais.
Felizmente, a espera não foi longa para que o trio compensasse essa ausência. Menos de três anos após aquele show, Billie Joe Armstrong e companhia voltaram ao país em tempo recorde — vale lembrar que, em outras ocasiões, o intervalo entre visitas foi de 12 e 7 anos — desta vez com uma mini turnê. A jornada incluiu uma passagem pelo festival The Town, em São Paulo, e teve seu encerramento na última sexta-feira (12) em Curitiba, na Arena da Baixada, estádio do Clube Athletico Paranaense. A turnê também previa uma apresentação no Rio de Janeiro, mas o show foi cancelado por conflitos de agenda com o time do Botafogo.
Batizada de ‘The Saviours Tour’, a turnê leva o nome do 14º álbum de estúdio da banda. Além de apresentar faixas inéditas, o repertório dessa excursão também destaca clássicos de discos históricos como Dookie e American Idiot, que em 2024 celebraram 30 e 20 anos de lançamento, respectivamente.
- Experiência geral e abertura
Como era esperado, a expectativa para o show era altíssima. Durante todo o dia, fãs circularam pelas ruas de Curitiba vestidos como os integrantes do Green Day, recriando figurinos de videoclipes e capas de álbuns. Centenas de pessoas de diferentes regiões do país viajaram até a capital paranaense para acompanhar o espetáculo, com destaque para caravanas vindas de estados vizinhos do Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Pontualmente às 19h30, a banda britânica Bad Nerves subiu ao palco com a missão de aquecer o público que aguardava ansiosamente o Green Day desde 2017. Com uma sonoridade que une a velocidade crua do punk rock à estética do indie dos anos 2000 — lembrando nomes como The Strokes e The Hives — o grupo conquistou a plateia com músicas como ‘Baby Drummer’, ‘Radio Punk’, ‘New Shapes’, ‘The Kids Will Never Have Their Say’, ‘Can’t Be Mine’, entre outras.

O vocalista Bobby Nerves foi um show à parte: comunicando-se em português quase fluente (o músico é casado com uma brasileira) e demonstrando enorme interação com os fãs. Em determinado momento, quebrou o protocolo e desceu à pista para cantar junto ao público. Não à toa, a banda vem sendo apontada como uma das grandes revelações do novo rock inglês.
Após uma breve pausa para ajustes no cenário, os alto-falantes começaram a ecoar o clássico ‘Bohemian Rhapsody’, do Queen, pouco antes das 21h30. O coro espontâneo da multidão anunciava que o tão aguardado momento se aproximava. Para aumentar ainda mais a euforia, o irreverente Drunk Bunny, mascote do Green Day, surgiu no palco interagindo com os fãs ao som de ‘Blitzkrieg Bop’, dos Ramones.

Em seguida, as luzes se apagaram. A Marcha Imperial, de Star Wars, começou a tocar enquanto imagens que recontavam a trajetória do trio californiano eram exibidas nos telões do estádio. Ao fundo, um imenso balão com a icônica capa de American Idiot tomou forma, preparando o terreno para a entrada triunfal de Billie Joe Armstrong (vocal e guitarra), Tré Cool (bateria) e Mike Dirnt (baixo).
Sem demora, a banda abriu o show com a faixa-título de American Idiot (2004), levando o público ao delírio. A canção veio com uma atualização na letra — ‘Well, maybe I’m the faggot, America // I’m not a part of a MAGA agenda‘ — em crítica à atual gestão de Donald Trump. Na sequência, ‘Holiday’, outro grande hit do álbum, incendiou o palco com labaredas e efeitos pirotécnicos. Em ‘Know Your Enemy’, Billie convidou uma fã ao palco para dividir os vocais no refrão, arrancando aplausos e gritos da multidão. Já a balada ‘Boulevard of Broken Dreams’, transformou a Arena da Baixada em um verdadeiro mar de luzes de celulares — um dos momentos mais belos e marcantes da noite.

Logo após, o balão com a capa do disco foi retirado do cenário, e o Green Day iniciou uma sequência de faixas secundárias, incluindo ‘One Eyed Bastard’ (presente em ‘Saviours’), ‘Revolution Radio’ (faixa-título do disco de 2017) e ‘Church on Sunday’, de ‘Warning’, uma raridade tocada ao vivo pouquíssimas vezes. Depois dessa sessão de canções menos populares, o público foi transportado aos anos 1990 com clássicos como ‘Longview’, ‘Welcome to Paradise’ e ‘Hitchin’ a Ride’, que fizeram a plateia formar moshpits e acender sinalizadores — logo controlados pela segurança do estádio. Hits mais enérgicos, com ritmo acelerado de punk rock, como ‘Brain Stew’, ‘St. Jimmy ‘ e ‘Dilemma’, mantiveram a animação no alto.

Na reta final do show, a banda apresentou uma sessão com os maiores sucessos de Dookie e American Idiot, transitando do punk direto de ‘Basket Case’ e ‘When I Come Around’ à ópera rock de ‘Wake Me Up When September Ends’ e ‘Jesus of Suburbia’, ambas com mais de cinco minutos — algo pouco comum no gênero. Durante a execução de ‘Bobby Sox’, Billie Joe Armstrong comentou que aquele havia sido um dos melhores shows da turnê. Como tradição, ‘Good Riddance (Time of Your Life)’ encerrou a apresentação, deixando os fãs em êxtase.
Sem dúvida, o Green Day elevou o punk rock a um novo patamar. O grupo combina efeitos visuais impressionantes de um mega espetáculo e a interatividade com o público, sem perder a essência simples e direta do estilo. Mesmo repetindo algumas dinâmicas em turnês, a banda continua a divertir, surpreender e emocionar. Que não demore a retornar ao Brasil — e que Curitiba esteja sempre na rota de seus próximos lançamentos.
Fotos: Hay Ramos/RW7 (disponibilizadas pela assessoria Midiorama)
Setlist – Green Day
- American Idiot
- Holiday
- Know Your Enemy
- Boulevard of Broken Dreams
- One Eyed Bastard
- Revolution Radio
- Church on Sunday
- Longview
- Welcome to Paradise
- Hitchin’ a Ride
- Brain Stew
- St. Jimmy
- Dilemma
- 21 Guns
- Minority
- Basket Case
- When I Come Around
- Letterbomb
- Wake Me Up When September Ends
- Jesus of Suburbia
- Bobby Sox
- Good Riddance (Time of Your Life)
Setlist – Bad Nerves
Baby Drummer
Don’t Stop
Plastic Rebel
Radio Punk
Television
Sorry
USA
Electric 88
New Shapes
Antidote
The Kids Will Never Have Their Say
You’ve Got the Nerve
Can’t Be Mine
Dreaming
Texto: Guilherme Góes
Agradecimento Especial: Maria Correia (Heavy Metal Online)











































